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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

São Paulo F.C.

1978
Em pé: Waldir Peres, Airton, Getúlio, Chicão, Marião e Bezerra
Agachados: Edu Bala, Teodoro, Serginho Chulapa, Dario Pereyra e Zé Sérgio.

Alfonso Darío Pereyra Bueno, começou sua carreira explêndida no Nacional de Montevidéu (Uruguai), com um futebol fora do normal, arrebentou, jogou o fino da bola, com uma qualidade extraordinária, o então meia armador do time do Nacional, foi convocado para a seleção uruguaia, um ano depois ele era titular absoluto e capitão da Celeste Olímpica.

Darío era um jogador aplicado taticamente, que se dedicava e fazia tudo com perfeição, ídolo da torcida do Nacional, por sua força física aliada a sua tecnica soberana, o jogador era conhecido por sua garra, raça e entrega dentro de campo. Tanta qualidade chamou atenção do SPFC, que fez o possível para a contratar essa jóia rara, mas se você acha que foi uma negociação tranquila, se enganou redondamente, demorou simplesmente um ano e meio (é isso mesmo, você não leu errado) para o jogador ser anunciado pelo time paulistano. Para convencer a Diretoria do time Uruguaio, a diretoria tricolor deve que dar uma boa limpada no cofre, afinal o preço pelo craque foram incríves 5 milhões de Cruzeiros, uma valor astronômico na época, tanto que foi a segunda contratação mais cara da história do futebol brasileiro naquela época.

Darío chegou ao tricolor no dia 17 de Outubro de 1977, foi recebido com festa no aeroporto de congonhas, mas quase deixou o tricolor em dezembro, pois o Real Madrid veio com um caminhão de dinheiro para levar o uruguaio, mas o jogador não foi por não ter vontade de jogar na Espanha.

Todos confiavam que seria uma sensacional contratação, pois o Uruguai já tinha nos cedido um meia de qualidade inquestionável, Pedro Rocha, a expectativa era enorme, sua estréia com o manto tricolor foi no dia em 11 de dezembro, contra o Internacional, em pleno Beira Rio, o São Paulo passou o carro no Inter por 4 a 1, O uruguaio deixou uma impressão excelente, não só pela sua atuação dentro de campo, mas também pelo seu comportamento no primeiro tempo, quando ainda estava no banco de reservas. Quando Teodoro abriu o placar, tanto o árbitro como o bandeirinha demoraram para apitar o gol, o que gerou uma breve tensão no banco são-paulino, quebrada rapidamente pelos berros de Darío: “Fue gol! Qué pasa? Nadie grita gol aquí? Fue gol! Goooool!.

Mas seu primeiro ano no tricolor não foi tão bom quanto os são paulinos esperavam, alem de não render muito bem na armação, quando jogava de volante tambem não ia bem, Darío teve uma sequência de contusões, que o prejudicou nos primeiros anos, mas a torcida tricolor foi paciente (bons tempos aquele que a torcida era paciente) pois já tinha visto um filme bem parecido com o de Darío: Pedro Rocha passou pelo mesmo problema, e arregaçou depois.

Darío chegou ao São Paulo em 1977 e logo em seu primeiro ano de futebol nacional conquistou um título importante: o Brasileirão (o São Paulo venceu o Atlético Mineiro, nos pênaltis, por 3 a 2, no Mineirão).

A consagração como zagueiro aconteceu em 1980, quando o então tecnico Carlos Alberto Silva, precisou improvisar Darío Pereyra na zaga, pois o time estava desfalcado, o jogo contra a Ponte Preta, a imprensa na época se assustou, mas o tecnico tricolor saibia o que estava fazendo, pois o jogador jogou algumas partidas como zagueiro na seleção Uruguaia e no Nacional; resultado da improviso? Dario foi um dos melhores em campo e foi ficando, ficando, ficando na zaga e se tornou o monstro sagrado que todos apladem até hoje. Ah, só pra constar, o tricolor foi campeão paulista de 1980.

Dario Pereyra formou uma dupla de zaga, que é uma das mais lembradas na história do São Paulo, Dario junto com Oscar, foram ovacionados por torcedores, imprensa e historiadores do futebol, por ter muita classe, precisão e qualidade.

O craque uruguaio jogou até 1988, depois rodou por Flamengo, Palmeiras e finalizou sua carreira em 1992 no time japones Gamba Osaka que na época se chamava Matsushita Eletronic; não podemos esquecer que o zagueiro Uruguaio jogou uma copa do mundo em 1986 no México.

Clubes
Nacional do Uruguai: 1975-1977
São Paulo: 1977-1988 (451 jogos, 38 gols)
Flamengo: 1988 (12 jogos, 0 gol)
Palmeiras: 1989 (32 jogos, 1 gol)
Matsushita Electronic atual Gambá Osaka do Japão: 1990-1992

Títulos
Campeonato Uruguaio: 1976
Campeonato Brasileiro: 1977 e 1986
Campeonato Paulista: 1980, 1981, 1985 e 1987
Matsushita Electronic - JAP
Copa do Imperador: 1990

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

São Paulo F.C.

1955
Em pé: Alfredo Ramos, De Sordi, Poy, Clélio, Bauer, Vitor Paulada e o mordomo Serrone. Agachados: Haroldo, Dino Sani, Gino, Remo e Teixeirinha.
Crédito: Blog do Milton Neves

Foi no São Paulo que Dino Sani começou a mostrar para todos o que era capaz. Tinha começado nos juvenis do Palmeiras. Não se sabe porquê, o pessoal do Parque Antártica o deixou sair. Foi parar no Comercial. Logo estava no São Paulo. Poucos jogadores tiveram tanta intimidade com a bola. Com quem podemos comparar o seu estilo hoje em dia? Vários nomes atuais passam pela minha cabeça: não vejo nenhum. Vou encontrar no passado: Zizinho, com quem Dino jogou no Tricolor e foi campeão paulista.

A bola humilhada, custava a deixar seus pés. Mesmo que ela não chegasse de frente, Dino encontrava um jeito de ir buscá-la, com o lado externo do pé, mostrando a infiel onde era o seu lugar. Esse fascínio lúdico tornava-se um espetáculo particular. Nenhum assistente queria que ela largasse o pé do amo. Havia o temor de ela ser maltratada adiante. Que ficasse ali os noventa minutos. Essa dependência da bola em relação a Dino custou-lhe o lugar de titular da Seleção, em plena Copa da Suécia. Os outros também queriam brincar com o redondo artefato. Zito, que tinha um jeito mais eficiente e de quem a bola não era escrava, tomou-lhe o lugar.

Ora, o que diferencia o futebol dos demais esportes é o fascínio pelo domínio da bola. Pode-se argumentar que no basquete também há o domínio da bola. Mas é um domínio com as mãos. Qualquer um, desde pequeno, pode dominar a bola com as mãos. Isso se aprende. Quero ver com os pés, com o lado dos pés. E não estou falando de circo ou de exibidores de controle, que se apresentam no intervalo dos jogos. Esses estão sozinhos com a bola. Só podem perdê-la para eles mesmos. Com Dino era diferente. Todos queriam tomá-la. E Dino não deixava. Escondia o brinquedo dos adversários e, dizem as más línguas, dos companheiros também.
O grande craque exibiu seu talento na Argentina, com a camisa do Boca, e na Itália, formando no campeoníssimo Milan. Voltou ao Brasil, fazendo companhia a outro jovem mestre, Rivelino. O Corinthians passou a ser o melhor time do Brasil. Mesmo não abocanhando títulos, o time era tão bom, que o apelido Timão se firmou nessa época. Enganam-se aqueles que pensam que Timão tem a ver com o escudo do time. Mera coincidência. Virou Timão porque tinha Dino Sani e seu explosivo escudeiro Rivelino.

Dino Sani nasceu em São Paulo no dia 23 de maio de 1932.
Foi campeão mundial em 1958
Campeão paulista em 1957 pelo São Paulo
Campeão italiano em 1962
Campeão europeu em 1963 pelo Milan.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

São Paulo F.C.

Em pé: Waldir Peres, Darío Pereyra, Oscar, Getúlio, Almir e Aílton.
Agachados: Hélio Santos (massagista), Paulo César, Renato, Serginho, Heriberto e Zé Sérgio.
Crédito: http://spfcpedia.biz/

Campeonato Paulista de 1980

Decisão
SÃO PAULO 1 x 0 SANTOS 0
Local: Morumbi
Data: 19/11/80
Árbitro: Oscar Scolfaro
Público: 61.130 pagantes
Gol: Serginho, aos 40 min.
do 1º temp
São Paulo: Valdir Peres; Getúlio, Oscar, Darío Pereyra e Aírton; Almir, Heriberto e Renato (Alexandre Bueno); Paulo Cesar, Serginho (Assis) e Zé Sérgio. Técnico: Carlos Alberto Silva.
Santos: Marola; Nelson, Joãozinho, Neto e Washington; Toninho Vieira, Rubens Feijão (Claudinho) e Pita; Nilton Batata, Campos e João Paulo (Aluísio). Técnico: Pepe.

Artilheiros
O artilheiro do São Paulo nesse campeonato foi Serginho com 11 gols, seguido por Getúlio (8), Assis e Zé Sérgio (7 cada), Renato (5), Paulo César (4), Ailton Lyra (3), Geraldo e Ney (2 cada), Dario Pereyra, Heriberto, Tatu e Mário (1 cada).

Time-base
Valdir Peres; Getúlio, Oscar, Darío Pereyra e Aírton; Almir, Heriberto e Renato; Paulo Cesar, Serginho e Zé Sérgio. Técnico: Carlos Alberto Silva.

Campanha
44 jogos - 22 vitórias,
13 empates,
9 derrotas,
55 gols pró, 33 gols contra

Dois anos depois de ter perdido, injustamente, uma final para o Santos, o São Paulo se vingou: o confronto decisivo, que poderia chegar a quatro partidas, teve apenas duas, ambas com o mesmo resultado - São Paulo 1, Santos 0. O regulamento determinava que seria vencedor aquele que fizesse quatro pontos primeiro. Em caso de empate após a quarta partida, se ela tivesse de ser realizada, o campeão seria o São Paulo, por ter feito melhor campanha nos dois turnos classificatórios. O centroavante Serginho ditou o placar das finais, mais uma vez. Fez os dois gols. Na primeira partida, aos 40 minutos do segundo tempo; na segunda, aos 40 do primeiro tempo. O time para este campeonato foi parcialmente reformulado, com as contratações de Almir, Paulo César, Renato, Assis e Ailton Lyra, entre outros. Mas a grande arrancada deu-se no segundo turno, com a vinda do zagueiro-central Oscar e a providencial fixação de Dario Pereyra como quarto-zagueiro. A defesa ficou intransponível, com Getúlio e Ayrton nas laterais, Valdir Perez no gol e os superesforçados Almir e Heriberto (promovido dos juniores) como volantes de contenção. Com o setor defensivo resolvido, o ataque também acabou se equilibrando. Paulo César começou a jogar como no Botafogo-RP, de onde havia vindo, o mesmo acontecendo com Renato em relação as suas atuações no seu ex-time, o Guarani. No primeiro turno, nada indicava que o São Paulo seria o campeão. Nosso time ficou em sétimo lugar. Os quatro primeiros, que disputaram as fases decisivas do turno, foram Portuguesa, Santos, Botafogo e Corinthians, pela ordem, ficando o titulo com o Santos. São Paulo, Ponte Preta, Corinthians e Inter de Limeira, pela ordem, foram os melhores do segundo turno. O São Paulo encontrou mais dificuldades em passar primeiro pelo Inter e depois pela Ponte para se tornar campeão do turno (as duas vezes na prorrogação) do que para superar o Santos no confronto entre os vencedores do 1°e 2° turnos.
O grande ano de Zé Sérgio
Zé Sérgio brilhou em 1980, no auge dos seus 23 anos. Depois de ter participado do grupo da Seleção da Copa do Mundo de 1978, como reserva, em 80 ele ganhou a Bola de Ouro da revista Placar como o melhor jogador do País, foi titular da Seleção no Mundialito do Uruguai, sendo eleito o melhor jogador do torneio e, claro, empurrou, com seus dribles, o ataque do São Paulo rumo ao título paulista. Uma característica peculiar de Zé Sérgio era sua facilidade praticamente igual de usar as pernas direita e esquerda. Driblava, cruzava e chutava tanto de um lado quanto do outro com a mesma destreza. Habilidoso como poucos pare o drible, tudo indicava, principalmente a idade, que ainda subiria muito na carreira. Mas uma serie de contusões (ficou praticamente parado entre meados de 81 e meados de 82) fez com que Ze Sérgio parasse por ali.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

São Paulo F.C.

Em pé: Jurandir, Sérgio, Gilberto, Arlindo, Édson e Forlan. Abaixados: Terto, Pedro Rocha, Toninho Guerreiro, Gérson e Paraná.
Crédito: http://spfcpedia.biz/equipes-postadas/postados-ano-a-ano.htm

Forte esquadrão do São Paulo campeão paulista de 1971 recheados de grandes jogadores com destaques para o Tricampeão Mundial de 1970, Gerson, os uruguaio Pedro Rocha e Forlan e o atacante Toninho Guerreiro com passagem vitorisa pelo Santos de Pelé.

Toninho Guerreiro
Seguindo o que seu pai aconselhava e o que os seus instintos diziam, Toninho não teve outra opção a não ser partir para a carreira de jogador, contrariando sua mãe, que sonhava em vê-lo trabalhando na Companhia Paulista Ferroviária de Bauru. E ele fez bem. Com uma técnica refinada, um raro talento de goleador, um físico avantajado e muita sorte, Toninho foi, rapidamente, vendo que sua escolha não poderia ter sido outra.

Garimpado por um caçador de craques de Bauru, Toninho foi encaminhado para atuar pelo profissional do Noroeste com apenas 17 anos. Na estréia, entrou no lugar do centro avante contundido e fez o único gol na derrota de 4x1 diante do Comercial de Ribeirão Preto. Aprovado, foi pressionado pelos dirigentes a assinar um contrato de profissional. Artur, seu pai e grande conselheiro, não quis. Acreditando no talento do filho, tentou levá-lo para o Santos. Chegando lá encontrou Pelé, Coutinho e Pagão pela frente e se assustou. Em três meses estava de volta ao Noroeste.

Mas o predestinado Toninho parecia ter seu caminho traçado. No primeiro campeonato paulista que disputou pelo Noroeste foi um dos principais artilheiros com 17 gols. Desta forma, já mais acreditado, voltou a Vila Belmiro para ficar. E ganhou sua primeira oportunidade no time dos sonhos de seu pai. Jogando ao lado de Pelé foi campeão paulista de 1964 e 1965. No ano seguinte, quebrou a hegemonia de Pelé e se tornou o artilheiro do paulistão com 24 gols.

Campeão paulista em 1969, Toninho resolveu deixar o Santos e se transferiu para o São Paulo. Em 1970 foi campeão paulista e artilheiro. No ano seguinte conquistou seu quinto titulo de campeão paulista consecutivo. Feito inigualável até os dias de hoje . Com 31 anos de idade deixou o São Paulo e teve breves passagens pelo Flamengo e Operário de Mato Grosso do Sul. Encerrou sua carreira em 1974.
Nome: Antônio Ferreira
Data de nascimento: 10 de agosto de 1942
Faleceu em 26 de janeiro de 1990
Posição: centroavante

Clubes
Noroeste (1960 a 1962 e 1975)
Santos (1962 a 1969)
São Paulo (1970 a 1973)
Flamengo (1974)
Seleção Brasileira – 1 jogo e 1 gol

Títulos
Campeonato Paulista – 1962, 1964, 1965, 1967, 1968 e 1969 – Santos
Taça Brasil – 1962, 1963, 1964 e 1965 – Santos
Taça Libertadores da América – 1962 e 1963 – Santos
Mundial de Clubes – 1962 e 1963 – Santos
Torneio Rio - São Paulo – 1964 e 1966 – Santos
Torneio Roberto Gomes Pedrosa – 1968 – Santos
Campeonato Paulista – 1970 e 1971 – São Paulo


Fonte: www.idolosdofutebol.blogspot.com

terça-feira, 24 de março de 2009

São Paulo F.C.

Em pé: Desordi. Poy. Sarará. Riberto. Vitor e Mauro.
Agachados: Maurinho. Amauri. Gino. Zizinho e Canhoteiro.
Crédito: http://www.arquivotricolor.com/

Esquadrão que conquistou o Campeonato Paulista de 1957 em cima do Corinthians.

O Corinthians era o favorito. Tinha um time com grandes valores individuais, uma estrutura técnica bem definida e uma garra que virou tradição. A equipe funcionava como um relógio, tinha personalidade e havia muita harmonia dentro do clube. O São Paulo não era exatamente o fantasma do campeonato, mas era quase. Naquele final, aparecia como a grande surpresa. O campeonato paulista de 1957 foi disputada em duas fases. Dos vinte clubes que disputaram a fase inicial, apenas dez se classificaram. O São Paulo entrou na última vaga. Mas com sua difícil classificação veio a transformação. Para estruturar este time o São Paulo já tinha um mestre experimentado e com um profundo conhecimento do futebol, o técnico húngaro Bela Gutman. Em campo já existia até mesmo um líder, o zagueiro Mauro Ramos de Oliveira. Mas faltava um mestre em campo, que orientasse os jogadores, que desse ritmo ao jogo, que soubesse dosar suas energias. De preferência, um veterano, com experiência e malícia. Este jogador existia e morava no Rio de Janeiro. O São Paulo foi lá e trouxe Zizinho que deu uma nova vida ao time tricolor.

Antes da decisão, o São Paulo tinha uma derrota diante da Portuguesa por 4x0 na primeira rodada da fase final. O Corinthians esteve na liderança durante todo campeonato. Depois de trinta e cinco partidas invictas, os corinthianos perderam para o Santos por 1x0 na penúltima partida do certame. Com esta derrota o time também perdeu a vantagem de dois pontos que tinha sobre o São Paulo. E na decisão lá se foi um pouco da tranqüilidade daquele que desde do inicio do campeonato já era considerado o campeão. Os episódios do primeiro turno voltaram a tona principalmente o choque entre Maurinho e Alfredo, que o lateral corinthiano teve sua perna fraturada. Todos isentaram Maurinho, mas ficou a marca. A briga entre Gino e Luizinho também era muito comentada. Torcida e jogadores levaram os fatos para a decisão.

As seis horas da manhã naquele dia 29 de dezembro de 1957 já tinha gente chegando ao Pacaembú. À uma hora da tarde, a garoa continuava e os portões foram fechados. Primeiro entrou o São Paulo com Poy. Desordi e Mauro. Sarará. Vitor e Riberto. Maurinho. Amauri. Gino. Zizinho e Canhoteiro. Dino Sani, contundido não jogou. Sarará era seu substituto. Depois entrou o Corinthians com Gilmar. Olavo e Oreco. Idário. Valmir e Benedito. Claudio. Luizinho. Indio. Rafael e Zague. O desfalque corinthiano era Roberto que foi substituído por Benedito. Para garantir a imparciabilidade o trio de árbitros tinha um brasileiro e dois ingleses. Alberto da Gama Malcher, o juiz, Lynch e Cross, os auxiliares.

O jogo começa com o Corinthians mandando na partida e logo aos cinco minutos acontece o primeiro encontro Luizinho-Gino. O juiz não deixou por menos. Chamou os dois e ameaçou de expulsão. O primeiro tempo terminou com os dois times jogando bem abertos procurando o gol com insistência. O São Paulo aos poucos foi impondo sua técnica e equilibrou a partida.

O drama corinthiano começou aos dezessete minutos do segundo tempo. Zizinho cobra uma falta para Gino que, de cabeça, manda para Amauri que abre a contagem. Logo aos dezenove minutos, embalados pelo primeiro gol, Zizinho entrega para Amauri que atrai a zaga do Corinthians e passa na medida para Canhoteiro marcar o segundo gol do São Paulo. Precisando ganhar o Corinthians parte para o ataque e aos vinte dois minutos, Rafael, de puxada, diminuiu o placar. O tempo restante foi dramático para os corinthianos que era todo ataque. Era o time da garra e da raça que a torcida estava acostumada a ver. Benedito mandou duas bolas na trave do São Paulo que se defendia de qualquer maneira. Zizinho procurava prender a bola para passar o tempo. Como o Corinthians estava todo no campo do São Paulo e não marcava, um chutão para frente pegou Maurinho livre. O ponteiro bateu na corrida o lateral Olavo, invadiu a área, driblou Gilmar e marcou 3x1. Um gol que definiu o titulo para o São Paulo aos trinta e quatro minutos. Os corinthianos ainda reclamaram impedimento que não houve. Olavo tenta agredir o juiz e um grupo de jogadores cercam o bandeirinha. Maurinho, empolgado com o gol, deixou a bola no fundo das redes, disse qualquer coisa para o goleiro Gilmar que saiu perseguindo o ponteiro sanpaulino que somente parou com a chegada do grupo do deixa disso.

O gol de Maurinho quebrou todas as esperanças de reação do Corinthians. No campo já não havia mais ninguém que pudesse evitar o desastre. Mas foi só terminar o jogo para o tempo fechar de novo. Em vez de confetes tricolores, caiu uma chuva de garrafas, pedras e outros objetos enviadas pela torcida corinthiana. No campo, Olavo partiu com violência para tirar satisfação com o bandeirinha inglês. No meio de tanta confusão, os sampaulinos foram comemorar o titulo nos vestiários. O titulo para o São Paulo foi justo pelo que os sampaulinos fizeram na segunda fase do campeonato com um reação que poucos acreditavam. Para o Corinthians, a perda do titulo foi um castigo para aqueles que pensavam ter ganho o campeonato antes do seu final.


segunda-feira, 16 de março de 2009

São Paulo F.C.

Em pé: Alfredo, De Sordi, Pé de Valsa, Poy e Bauer
Agachados: Maurinho, Albella, Gino, Negro e Teixeirinha
Renato Di Santis
Este campeonato jamais me sairá da memória porque foi o primeiro que acompanhei pelo rádio, fiz 7 anos em 15/09/1953 meu grande ídolo era
Bauer,o maior craque tricolor na época,ouvi quase todos os jogos pela
Rádio Record, na voz de Geraldo José de Almeida, sãopaulino roxo e pai de Luiz Alfredo, que em 2007 narrou os jogos da série B pela Rede TV.

Para esse campeonato o São Paulo contratou Gino centroavante do Comercial, Negri da Argentina e Ranulfo da Portuguesa. No Torneio Rio-SP terminamos em 3º lugar, atrás do Corinthians e do Vasco, o Corinthians foi campeão, apesar de ter perdido para o SPFC por 3x1.
No campeonato paulista o tricolor começou arrasador, em 14 jogos do primeiro turno 13 vitórias e apenas um empate, contra o XV de Piracicaba, no Pacaembu. Vencemos os 4 clássicos, o primeiro contra o Palmeiras, no dia 13/09, por 3x1depois vencemos a Portuguesa(que na época era um osso duro de roer),por 2x0, Corinthians, por 1x0,e Santos por 4x1.

Terminamos o turno com apenas 1 ponto perdido, o segundo foi o Palmeiras com 7 (lembrando que a derrota valia 2 pontos perdidos) já no returno o
Palmeiras se firmou e o tricolor não foi tão brilhante, mas ainda completamos no dia 15/11,uma série impressionante e raríssima de 14 vitórias seguidas (nem o Santos de Pelé conseguiu isso).
Mas no dia 13/12 uma grande surpresa jogando em Lins, contra o caçula da 1ª divisão, o SPFC foi derrotado por 4x1, perdendo uma invencibilidade de 19 jogos que vinha desde o começo do campeonato. 3 rodadas depois uma nova derrota, contra a Portuguesa por 1x0, colocava a torcida sãopaulina em estado de alerta.

O Palmeiras tinha ficado só 2 pontos atrás, o título estava em perigo ainda
estavam na memória dos sãopaulinos as 3 rodadas finais de 1950, quando o
tricolor estava 3 pontos à frente do Palmeiras e perdeu o tricampeonato com
2 inesperadas derrotas, contra o Ypiranga e o Santos, em casa, e o empate final no choque direto com os alviverdes.

Mas estava escrito que o tropeço contra a Lusa seria o último, 2 rodadas após o Corinthians nos daria um agradável presente, derrotando o Palmeiras por 2x1 e colocando o Periquito (como era conhecido o alviverde na época) 4 pontos atrás do São Paulo e reacendendo a certeza de que desta vez o título não nos
escaparia.

Na antepenúltima rodada a taça tomou definitivamente o caminho
do Canindé (quase ninguém sabe, mas esse estádio pertencia ao SPFC,foi vendido à Portuguesa em 1956) enquanto o tricolor vencia o Santos, na Vila
Belmiro,por 3x1, o alviverde não passava de um empate em 2x2 com a
Portuguesa e isso fez o São Paulo matematicamente campeão paulista de 53, com 2 rodadas de antecedência.
Nas 2 rodadas finais mais 2 vitórias,contra o Corinthians, por 3x1, e contra o Palmeiras por 2x1.

O time-base de 53 foi Poy; De Sordi e Mauro; Pé de Valsa, Bauer e
Alfredo; Maurinho, Albella (pronunciava-se Albeja), Gino, Negri e
Teixeirinha. Os principais reservas foram Turcão (zagueiro e
lateral), Haroldo (ponta direita), Lanza (meia) e Ranulfo (meia).

Vejam abaixo a campanha tricolor:

Rodada Data Clubes.Clube Gols M Clubes_1.Clube GolsV

1 19/7/1953 São Paulo 6 Comercial 1
2 26/7/1953 XV de Jaú 0 São Paulo 3
3 2/8/1953 São Paulo 1 XV de Piracicaba 1
5 9/8/1953 São Paulo 4 Nacional 1
7 16/8/1953 São Paulo 1 Juventus 0
11 30/8/1953 Guarani 0 São Paulo 3
13 5/9/1953 São Paulo 4 Ypiranga 1
15 13/9/1953 São Paulo 3 Palmeiras 1
16 16/9/1953 São Paulo 1 Ponte Preta 0
17 19/9/1953 São Paulo 4 Linense 2
19 27/9/1953 São Paulo 2 Portuguesa 0
21 4/10/1953 São Paulo 1 Corinthians 0
23 11/10/1953 Portuguesa Santista 0 São Paulo 2
24 17/10/1953 São Paulo 4 Santos 1
25 1/11/1953 São Paulo 2 Comercial 0
26 8/11/1953 XV de Piracicaba 2 São Paulo 4
27 15/11/1953 São Paulo 3 Portuguesa Santista 0
28 29/11/1953 Ponte Preta 0 São Paulo 0
29 6/12/1953 São Paulo 1 Ypiranga 0
31 13/12/1953 Linense 4 São Paulo 1
32 19/12/1953 São Paulo 4 Nacional 0
33 23/12/1953 São Paulo 3 XV de Jaú 1
36 3/1/1954 Portuguesa 1 São Paulo 0
37 9/1/1954 São Paulo 2 Juventus 0
38 16/1/1954 São Paulo 3 Guarani 2
40 24/1/1954 Santos 1 São Paulo 3
42 31/1/1954 São Paulo 3 Corinthians 1
44 7/2/1954 São Paulo 2 Palmeiras 1

Classificação final

Clube PP NJ SG GM GS
São Paulo 6 28 49 70 21
Palmeiras 13 28 40 85 45
Corinthians 18 28 15 60 45
Portuguesa 23 28 15 60 45
Guarani 25 28 5 39 34
Ponte Preta 28 28 6 42 36
Santos 29 28 8 60 52
XV de Piracicaba 29 28 3 58 55
Comercial 30 28 1 45 44
Linense 31 28 -10 51 61
XV de Jaú 31 28 -12 52 64
Portuguesa Santista 37 28 -19 34 53
Ypiranga 37 28 -25 39 64
Juventus 37 28 -32 34 66
Nacional 46 28 -44 42 86

Fonte: http://www.arquivotricolor.com/pt/pt-1953.html

sexta-feira, 13 de março de 2009

São Paulo F.C.

Em pé: Sérgio, Clodô, Nestor, Bock, Araken, Friedenreich, Zanuela e Rueda Agachados: Formigão, Serrote, Barthô, Siriri e Segatti
Crédito: http://blog.unitaim.com.br/page/2/

Esquadrão do São Paulo dos anos 30, talvez sua primeira equipe com integrantes do extinto Paulistano onde o nosso primeiro craque Friedenreich era sua principal figura mesmo, já no ocaso da carreira.

1930 – O PRIMEIRO SÃO PAULO
O fim das atividades no futebol do Paulistano e da Associação Atlética das Palmeiras resultou no primeiro São Paulo, o São Paulo da Floresta. O Palmeiras deu o campo que tinha na Floresta, bairro da Ponte Grande. Um grupo de ex-associados do Paulistano levou o time, que contava com Friedenreich, o Pelé da época, no ataque. E o São Paulo da Floresta foi vice em seu primeiro ano de vida.

1931 – O PRIMEIRO TÍTULO
O São Paulo da Floresta foi campeão paulista logo em seu segundo ano de vida, com uma campanha memorável: 20 vitórias, 5 empates e 1 derrota. Na partida decisiva, goleou o Corinthians por 4 x1. O clube do Morumbi passou a computar o titulo entre suas conquistas. È polêmico. Afogado em dividas, o velho São Paulo fundiu-se com o Clube de Regatas Tietê, que não mantém time de futebol.

1936 – O SÃO PAULO DEFINITIVO
Um grupo de diretores não aceitou a fusão com o Tietê e refundou o São Paulo em 16 de dezembro de 1935. Foram mantidos o distintivo e o uniforme original. A estréia do time aconteceu contra a Portuguesa Santista, com vitória de 3 a 2, no campo do Palestra Itália.

1938 – DE MÃO NÃO VALE
O Paulistão de 1938 foi um show de desorganização. A final, entre São Paulo e Corinthians, aconteceu somente em abril de 1939. O Tricolor começou na frente, gol de Mendes. A partida foi interrompida aos 21 minutos do primeiro tempo, por causa da chuva. O jogo recomeçou dois dias depois. O Corinthians empatou faltando 25 minutos para o fim, com um gol de mão do atacante Carlito, e ficou com a taça.

sábado, 7 de março de 2009

São Paulo F.C.

Crédito: http://www.spfc.net

Esquadrão tricolor que foi campeão paulista de 1949.

Em 1949 o SPFC trouxe Friaça, do Vasco, para a ponta direita no lugar de China, que era apenas um jogador razoável. Começou bem o campeonato, vencendo o XV de Piracicaba, primeira equipe do interior a disputá-lo, no primeiro turno apenas uma derrota para o Santos, na Vila Belmiro, por 1x0 No encerramento do turno um jogo dramático contra o Corinthians o tricolor esteve em desvantagem por duas vezes, 1x0 e 2x1, mas acabou vencendo por 3x2 com 3 gols de Leônidas que a essa altura já estava com 36 anos e em final de carreira.

No returno apenas uma derrota, dessa vez em Piracicaba, por 2x0. Na penúltima rodada o SPFC conquistou o título vencendo o Santos por 3x1 no Pacaembu, e na rodada final um empate com o Corinthians em 3x3.
Friaça foi o artilheiro do campeonato, o time base foi Mário; Savério e Mauro; Bauer, Rui e Noronha; Friaça, Ponce de Leon, Leônidas, Remo e Teixeirinha, este foi o último título de Leônidas em sua consagrada carreira.

sábado, 20 de dezembro de 2008

São Paulo F.C


Em pé: Zarzur, Piolim, King, Virgílio, Zezé Procópio e Noronha.
Agachados: Luizinho, Sastre, Leônidas, Remo e Pardal.
Crédito: http://www.marcotricolor.zip.net/

Campeão Paulista de 1943

A nova fase começa cheia de dificuldades, mas Frederico Menzen comanda e incentiva a reconstrução do novo São Paulo Futebol Clube a partir de 1936. Em 1938, funde-se ao Estudantes, que tinha diversos bons jogadores (entre eles Pedrosa, o goleiro que deu nome a diversos torneios nacionais importantes) e seu campo na Mooca. Anos depois adquire um campo no Canindé (onde fica a atual Portuguesa de Desportos) e solidifica um mínimo de estrutura. Mas faltam jogadores para ter um time competitivo. São contratados: Rui e Noronha, do Vasco, Luizinho, Gijo e Zezé Procópio, do Palmeiras, Remo chega de Minas e Pardal do Rio Grande do Sul, e mais alguns jogadores das bases vão compondo a nova equipe. Mas ainda é pouco. E em abril de 1942 chega aquele que se tornaria o primeiro grande ídolo da história tricolor: Leônidas da Silva. Em sua estréia, em partida contra o Corinthians, 42 mil pessoas comparecem. Recorde de público até hoje inalterado. E tem mais. No início de 1943 chega Antonio Sastre, veterano da Seleção Argentina e do Independiente, com 31 anos de idade... Para descrédito de muitos, o futuro começou.