quarta-feira, 11 de março de 2009

Goytacaz F.C.

Em pé: Ricardo Batata, Paulo Marcos, Marcus Vinicius, Totonho, Tita e Augusto.
Agachados: Piscina, Wilson Bispo, Rogério, Coca e Edu.
Crédito: http://desenvolvimento.miltonneves.com.br/

Esquadrão do Goytacaz de 1976 onde se destacava o Zagueiro Paulo Marcos que depois foi contratado pelo Internacional de Porto Alegre.

GOYTACAZ F.C. - O mais querido da cidade

Famoso pela alcunha de “O Clube Mais Querido da Cidade”, o Goytacaz Futebol Clube foi fundado em 6 de agosto de 1912, após uma reunião na casa de João Ferreira de Araújo, mais conhecido como João Cunha, situada à Beira Rio de Guarus, perto da ponte municipal ou “ponte de pau”, conhecida hoje mais como ponte João Barcelos Martins ou “Ponte do Meio”.

Além do dono da casa estavam presente os senhores Otto Nogueira, Antônio Caramuru e Álvaro Nogueira. Foi definido que no dia 20 do mesmo mês haveria uma outra reunião, para a composição da diretoria, e essa foi a data que, erroneamente, entrou para a história como a de fundação do clube, como o próprio Otto Nogueira declarou ao jornal “O Estado”, de Niterói, em 24 de agosto de 1936, “Que a verdadeira data de fundação era no dia 06 de agosto, dia de São Salvador, padroeiro da cidade de Campos”. (Arêas: 1962, pág. 5).

A primeira diretoria do Goytacaz foi formada assim: Luiz Carlos Cabral (presidente), Roberto Melo (vice-presidente), Otto Nogueira (1º tesoureiro), Jaime Rego (2º tesoureiro), Rudah Martins (1º secretário), Álvaro Nogueira (2º secretário), João Cunha (fiscal) e Manoel Patrão (procurador) e também ficou decidido, ainda, que a casa de Otto Nogueira, situada à Rua 21 de Abril, nº. 14, no centro da cidade, ficaria sendo provisoriamente a sede do novo clube.

O primeiro campo do Goytacaz foi defronte à igreja de Santo Antônio, em Guarus e, por isso, o santo é considerado o padroeiro do time. Mais tarde o campo passou para a Praça da República, onde a Prefeitura Municipal cedeu um terreno, mas ali o clube não ficaria por muito tempo, pois logo se mudaria para perto do Liceu de Humanidades, no antigo campo do Luso Brasileiro, no mesmo terreno onde, mais tarde, seria construído o palacete de Finazinha de Queirós, transformado após a sua morte na Casa de Cultura Villa Maria.O clube, porém, mudaria novamente e, dessa vez, se estabeleceria em frente à linha férrea campista, no início da Rua do Gás, na Lapa. Foi nesse campo que o Goyta tornou-se, definitivamente, um dos maiores times da cidade, chegando a ter ali mesmo o primeiro campo com iluminação elétrica do interior do Estado, em 05 de junho de 1930, o que causou muita polêmica, já que a cidade vivia sérios problemas de abastecimento de energia.

Muitos consideraram um desaforo, pois não raras as vezes que a cidade inteira ficava às escuras, enfim o clube novamente se mudaria para a mesma Rua do Gás (hoje Rua dos Goytacazes), para a o terreno onde construiria o Estádio Ary de Oliveira e Souza em homenagem ao grande ex-presidente do clube, chamado carinhosamente de Aryzão pela imensa família alvi-anil.

O estádio foi inaugurado em 9 de janeiro de1938 com uma partida entre os donos da casa, que venceram por 2 x 1 o Internacional, tendo sido um de seus fundadores, Otto Nogueira, o autor do primeiro gol no estádio, cuja inauguração se deu na gestão do então presidente Augusto Alexandre de Faria.

Em Santafé (1997, p.60) conta a história da origem do nome do clube, que é uma homenagem às tribos que habitavam nossas planícies em outrora e as cores com um toque de romantismo, foi inspirada no romance “O Guarani” de José de Alencar, onde o índio Peri, que dizem na verdade ser da tribo Goytacaz se apaixona por Ceci, moça de olhos azuis celestes e pele branquíssima. Tal lenda é confirmada por vários presidentes do clube e alguns dos fundadores e que afirmaram ser verdadeira. Afinal, um clube como o Goytacaz merece ter as suas cores inspiradas em tão bela obra da literatura brasileira.

A primeira partida foi em 25 de Agosto de 1912 contra o Internacional e a equipe alvi-anil venceu por 2 x 1 e o time jogou com: Claudinier, Mário Manhães e Catete, Álvaro Nogueira, Estevam Almeida, e Adelino, Laranjeira, Linconl, Jorge Gomes, Didi e Otto Nogueira.

O Goytacaz foi o primeiro time do antigo Estado do Rio a jogar no Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã. Isso aconteceu em novembro de 1963, contra a equipe carioca do Madureira e a partida terminou empatada em 2 x 2.

Conquistou vinte campeonatos campistas, sendo o de 1955 de forma invicta, além de ter sido o primeiro tetracampeão (1940 / 41 / 42 / 43), levantou duas taças Cidade de Campos e seis campeonatos estaduais (antigo campeonato Fluminense).

O Estádio Ary de Oliveira e Souza teve o seu recorde de público em 13 de abril de 1986, quando 14.708 pagantes estiveram presentes para assistir ao jogo entre o Goytão e o grande time do Flamengo, com Zico e Cia, pelo campeonato carioca daquele mesmo ano.

O Goytacaz foi o primeiro clube campista a ter um jogador na seleção brasileira, Amaro da Silveira, titular absoluto no Sul Americano de 1923 e que deixaria um outro craque como seu herdeiro, Amarildo, “o possesso”, campeão do mundo em 1962 no Chile.

Os presidentes do Goytacaz foram: Luís Cabral, Vicente do Amparo Ferraiuolli, Osvaldo Cunha, Luís Sérgio Silva, Francisco Carvalhal, Augusto Faria, Salim Nagem, Ary de Oliveira e Souza, Dr. Jacintho Simões, Martinho Santafé, Domingos Guimarães, Abelardo Brito, Antônio Ribeiro Alvarenga Filho, Gumercindo Freitas, Sebastião Lírio, José Gabriel, Nilson Cardoso de Souza, Salvador Araújo Nunes, Edson Alvarenga, Antônio José Coutinho, Jacynto Simões, Ramiro Alves Pessanha Filho, Rubens Vieira Rios, Roberto Krunfly, Rafael Martins, Edecyr de Oliveira, Jorge Fernandes de Souza, Amaro Escovedo, Amaro Gimenes, Arizo Azevedo, Antônio Eraldo Lopes Riscado, Silvio Pinheiro, Dartagnan Fernandes e Valtair de Almeida.

Foram inúmeros grandes craques que marcaram a história do “clube mais querido da cidade”, destacando: Amaro da Silveira, David, Otto Nogueira, Titio, Malvino, Pires, Cobian, Gradim, Bibino, Rebolinho, Calombinho, César, Artur, Tarceli, Joceir, Manoel Lucas, Carlos Augusto, Nilton Barreto, Rodoval, Zé Carlos, Pipiu, Mauricinho, Alfeu, Ronaldo, Belliti, Dedé, Gérson, Paulo Marcos, Jarbas, Vaidir Negrinhão, Ricardo Sales, Ricardo Batata, Sabicinho, Pasta Ruça, Dudu, Menenel, Artuzinho, Jocimar, Caveira, Coca, Augusto, Piscina, Wilson Bispo, entre muitos outros, que defendeu com galhardia, o manto azul e branco.

O Goytacaz também teve fortes equipes de vôlei e de basquetebol, além de ser pioneiro no futebol feminino do Brasil, junto com o Americano, Rio Branco e Industrial.

O hino do Goytacaz foi composto por José Barbosa Guilherme no final da década de 60. Por ironia, seu autor não é torcedor do clube, e sim do Paraíso de Tocos e o Hino cantado pela massa azul e branco é assim: Sou Goytacaz / Sou Goytacaz até morrer / Nosso lema é vencer, vencer / Na vitória / Na derrota / Na alegria / No amargor / Sou Goytacaz sim senhor / Sou Goytacaz por amor / Nossa camisa / alvi-anil / Tem suas cores destacadas na bandeira do Brasil / Minha Campos te amo demais / Por isso sou torcedor do Goytacaz / E no gramado ninguém faz o que ele faz.

O Goytacaz conquistou diversos títulos entre eles 20 campeonatos campistas, 6 do antigo estado do Rio (a final de 55 foi contra o Barra Mansa no Caio Martins e o placar foi 5 x 1), campeão da 2º divisão 2 vezes, campeão da 3º uma vez e vice-campeão brasileiro de 1985. Vencendo também nos anos de 1964, 67 e 68, uma competição paralela, que visava decidir o representante do estado do Rio na Taça Brasil.

O Goytacaz disputou, no ano de 1992, seu último campeonato na elite do Estado e, neste campeonato, foi rebaixado para a segunda divisão.

Em 2006, o Goytacaz se licenciou da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro e assim não disputou o campeonato da segunda divisão, promovido pela entidade, mas por intermédio de Eduardo Viana, o “Caixa D’Água”, ficou acertado que a FERJ promoveria um torneio seletivo que apontaria quatro equipes que garantiriam vaga na elite do futebol do Rio, no campeonato de 2007.

Após muitas e conturbadas reuniões para serem decididos os clubes participantes, o presidente da Federação passou mal, vindo em seguida a falecer. Com a morte de “Caixa D’Água”, o torneio teve seu início adiado por duas vezes e, em seu final, as quatro primeiras equipes colocadas, que teriam direito a disputar à primeira divisão, não tiveram as vagas garantidas, assim sendo, Bangu, Macaé Esporte, Olaria e Goytacaz, amargaram mais um ano na divisão de acesso, tendo como promessa a validade da seletiva ratificada para o certame de 2008, é ver para crer…

A campanha do Goytacaz na seletiva fez seus apaixonados torcedores voltarem a freqüentar os estádios e acreditar mais uma vez na sua equipe, mostrando que não é a toa a alcunha de “O clube mais querido da cidade”. Foram 20 jogos, 9 vitórias, 8 empates, 3 derrotas, 24 gols pró, 14 gols contra, que levou o azulão a ficar na 4ª colocação do torneio.

O atual presidente do clube, Valtair de Almeida, após a campanha do Goytacaz na seletiva 2006, ocasião em que a torcida alvi-anil se fez presente em todos os vinte jogos do clube, decidiu aposentar a camisa 12 imortalizando-a como a do melhor jogador do time “a sua maravilhosa torcida”.

Paulo Marcos
Paulo Marcos foi um zagueiro de destaque. Começou muito cedo e nas divisões de base do Goytacaz, no início da década de 70. Em 1975 foi campeão da Taça Cidade de Campos sobre o Americano: vitória por 2 a 1, com gol de Pontixelli, no Arizão lotado. Tinha como companheiros jogadores como Wilson Bispo e Piscina.
Brilhou no Campeonato Brasileiro de 1977, pelo Goytacaz. Em uma quarta-feira, à noite, foi destaque na derrota do alvi-anil, no Beira-Rio, para o Internacaional, por 1 a 0, equipe que tinha Falcão, Carpeggiani e Figueroa e que vinha de um bi-campeonato brasileiro.
No final do ano chegou ao auge da carreira ao ser contratado pelo Internacional, para substituir o maior zagueiro da história do clube, o chileno Don Elias Figueroa, que estava no final de carreira, e se tornou ídolo no Sul do País, onde foi campeão Gaúcho em 78.
A saída do clube aconteceu em meados de 79, com a ida para o Santa Cruz-PE, onde foi campeão estadual. Jogou ainda no Operário/MT e Colorado/PR, hoje Paraná Clube, sendo campeão estadual em todos esses clubes. No CSA, conheceu Valdemar Carabina, que passara a incentivar com a idéia de se tornar treinador.
No retorno a Campos, foi defender o Americano e tinha como companheiro de zaga Orlando Fumaça. Conhecido por ser um jogador viril, mas de qualidade e até goleador, encerrou a carreira no Goytacaz, mas não deixou o futebol e se tornou dirigente.
"Foi um dos maiores zagueiros que eu vi jogando em Campos", disse o jornalista e escritor Péris Ribeiro, profundo conhecedor do futebol e dos atletas oriundos da cidade.

Fontes:

2 comentários:

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  2. gostaria de saber sobre o jogador de meio-campo orlando cobian que jogou na década de 50 e também fotos dele. sou neto e gostaria de ver fotos dele se possível.

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